Instituto Pensar - Lágrimas de animais podem ajudar problemas oftalmológicos humanos, revela estudo da Ufba

Lágrimas de animais podem ajudar problemas oftalmológicos humanos, revela estudo da Ufba

por: Mônica Oliveira


O estudo sobre como as lágrimas de animais podem ajudar problemas oftalmológicos humanos pode sofrer corte de verba em 2020 (Foto: Arianne oriá/arquivo pessoal)

Estudo desenvolvido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) encontrou potencial curativo para problemas oftalmológicos humanos em lágrimas de animais como tartarugas marinhas e jacarés. O trabalho foi desenvolvido principalmente pelas médicas veterinárias Ana Cláudia Raposo e Ariane Lacerda, sob orientação da doutora em Oftalmologia Veterinária Arianne Oriá, que é professora da Ufba.

Ana Claudia contou ao portal um pouco mais sobre a descoberta. "Nós percebemos que determinados animais conseguem ficar em diferentes ambientes sem que isso represente uma agressão aos olhos. Imagine como seria se a gente pudesse ficar o tempo todo embaixo da água sem irritar os olhos”, explicou.

"Esse entendimento começou a existir a partir da observação dos jacarés, no zoológico de Salvador. Eles ficam muito tempo embaixo da água, que é uma água salobra natural para a sua espécie. Notamos também que além de ficar com o olho aberto nessas condições, ele permanecia cerca de 1h30 sem piscar e sem que isso interferisse na sua proteção ocular”, disse.

Falta de apoio ao estudo

Porém, a falta de apoio financeiro obrigaram as pesquisadores a interromperem os estudos.

Diante disso, Ana Cláudia e o grupo de pesquisa articularam diversas parcerias, entre elas com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

"O Cetas nos possibilitou ter acesso aos animais e fazer coleta das lágrimas, claro que sempre sendo supervisionados por um comitê de ética e pelo próprio Ibama. Então fomos atrás de entender a composição dessas lágrimas. O professor Ricardo Portela [Ufba] nos possibilitou o uso de uma tecnologia adequada para a gente iniciar os estudos de comparação, foi então que a gente percebeu que estava entrando em temática pertinente”, conta Ana Cláudia.

Mesmo assim, as facilitações não foram suficientes. O grupo ainda necessitava de aparato tecnológico para realizar as análise de forma adequada, o que foi possível com um edital do Ministério da Educação (MEC), de 2016.

"O edital do MEC possibilitou um intercâmbio de doutorado pra universidades parceiras. A partir do Brasil, coletamos amostras dos animais e levamos para a Universidade da Califórnia, que tinha um processamento com maior de tecnologia, que nos permitia avaliar minuciosamente aves e répteis, principalmente jacarés e tartarugas marinhas”, detalhou Raposo.

Foi então que, a partir da análise mais capacitada sobre as moléculas, Ana Cláudia e o grupo perceberam que era possível aplicar os conhecimentos para o tratamento de condições humanas.

"Chegamos a uma conclusão inédita de que poderíamos encontrar, na lágrima dos animais, moléculas que podem melhorar condições oftalmológicas humanas, como a doença do ‘olho seco’. Só que precisamos encerrar os estudos na fase dos Estados Unidos porque não temos fomento para fazer novas avaliações. Nosso grupo começou a engatinhar no estudo de um potencial farmacêutico para o que a gente analisa e, para irmos à frente, dependemos de financiamento , avaliou ela.

Cortes de verbas

Mesmo com tantos avanços, cortes de verbas já foram anunciados pelo MEC e a Ufba deve perder cerca de R$ 30 milhões. A previsão consta do projeto de lei orçamentária de 2021, que calcula uma redução de 18% para a pasta.

Com isso, mas uma vez, a pesquisa do grupo deve ser impactada também no próximo ano.

O MEC alega que em razão da crise econômica, em consequência da pandemia do novo coronavírus, a administração pública terá trabalhar com redução no orçamento para 2021.

O percentual de corte informado pelo MEC (18%) representa cerca R$ 4,2 bilhões de redução no orçamento da pasta.

A redução do orçamento apresentada no Projeto de Lei Orçamentária Anual 2021 vai ser encaminhada ao Congresso Nacional pela Presidência da República ainda em 2020.

Raposo, que disse ter o sonho de popularizar o acesso às descobertas científicas, lamenta a situação.

"Esse é nosso grande sonho, porque a nossa ideia é produzir ciência de uma forma acessível. Popularizar a ciência sempre. Nosso país investe pouco na ciência ", diz.


Com informações do G1



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